segunda-feira, 21 de novembro de 2016

SESSÃO 44: 28 DE NOVEMBRO DE 2016



VERÃO DE 42 (1971)

O filme parte de um argumento de Herman Raucher que posteriormente o passa a romance. Estamos no Verão de 42, na ilha de Nantucket, em Cape Cod, no Noroeste da costa atlântica dos EUA. Pelo que vimos no filme, reportando-nos obviamente a 1942, esta era uma região paradisíaca, um pouco inóspita, quase isolada no mundo, com a natureza em estado puro e o oceano a banhar as praias desertas de gente, apenas povoadas por meia dúzia de veraneantes que passeavam pelas ruas da cidadezinha, e à noite iam ao cinema da terra, ver os grandes êxitos desses anos. “Now Voyager” com Bette Davis, por exemplo. Os jovens adolescentes aproveitavam este tempo de pausa na vida escolar para amadurecerem a sua vida sentimental e sexual. O que vimos no filme (e que posteriormente se pode ler no romance) foram recordações pessoais de quem escreveu, em testemunho directo. A prática normal neste tipo de obras de fundo autobiográfico é elidirem nomes próprios e disfarçarem situações e no início afirmar que “qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência”. Aqui a preocupação foi outra, contrária: mantiveram-se nomes e situações com o maior rigor. O grupo de três amigos adolescentes eram realmente composto por Hermie (Gary Grimes), Oscy (Jerry Houser), e Benjie (Oliver Conant ) e foi a morte de Oscy, durante a Guerra da Coreia, que levou Herman Raucher a querer escrever este argumento como forma de homenagear o amigo desaparecido em combate. Portanto esta história de uma iniciação sentimental, esta descoberta da sexualidade, esta entrada na vida adulta deste grupo de jovens deviria impor-se pela sua autenticidade, pela sua genuinidade. É o que acontece na verdade. “Verão de 41” quase se aproxima do docudrama, ainda que se mostre sempre como ficção. Mas tudo se determina pela sua sinceridade, pelo tom vivido. São actores que interpretam os papéis, mas a credibilidade é total. O mesmo se passa com Dorothy (Jennifer O’Neil), a mulher que habita a casa de madeira em cima das dunas, casada com o militar que parte para a guerra na Europa, e que desperta primeiro a curiosidade dos adolescentes e depois impõe o deslumbramento amoroso a Hermie. Dorothy funciona admiravelmente como o objecto do desejo, o aparentemente inalcançável fruto proibido. Dorothy existiu, e Jennifer O’Neil interpreta-a não como a actriz de Hollywood que recria um papel, mas como uma mulher autêntica. Na sua fragilidade, na sua doçura imaculada, na sua beleza imperfeita, na leveza dos movimentos, na materialidade da sua existência. Ela, que é imagem mítica ara os adolescentes que a perseguem, é afinal uma presença física indesmentível. Jennifer O’Neil é perfeita nesta sua composição, este é o papel de uma vida. Diga-se ainda, por ser de inteira justiça, que os jovens que gravitam em seu redor, interpretados por Gary Grimes, Jerry Houser, Oliver Conant, Katherine Allentuck e Christopher Norris são magníficos e contribuem em muito para o sucesso da obra. 

De resto, “Verão de 42” é uma pequena obra-prima de observação, de rigor, de sensibilidade, de pudor, de bom gosto plástico, de segurança estilística, de coerência. Robert Mulligan não é cineasta de que muito se fale, injustamente. Ele é seguramente um dos maiores cineastas norte-americanos aparecidos no cinema na década de 60, vindos da televisão. Nascido em 1925, em Nova Iorque, The Bronx, e falecido aos 83 anos, em 2008, em Lyme, Connecticut, EUA, passou grande parte dos anos 50 a dirigir series para TV, onde apurou um estilo e definiu um olhar. Na longa-metragem, estreou-se ainda em 1957, com “Vencendo o Medo”, a que se seguiu um grupo de filmes interessante, onde foi criando um estilo: “A Pousada das Ilusões”, “O Grande Impostor”, “Idílio em Setembro” ou “Labirinto de Paixões”. Em 1962 atinge o auge da sua glória com “Na Sombra e no Silêncio” (To Kill a Mockingbird), segundo celebérrimo romance de Harper Lee, prosseguindo com obras extremamente estimulantes, intimistas e secretas, como “Amar Um Desconhecido”, “Errando pelo Caminho”, “O Estranho Mundo de Daisy Clover”, “O Último Degrau”, “Emboscada na Sombra”, “Em Busca da Felicidade”, culminando novamente num momento de glória, “Verão 42”. Depois, “O Outro”, “A Estrada do Amanhã”, “À Mesma Hora para o Ano Que Vem”, “Beija-me e Adeus”, “O Amor de Clara” ou “O Homem da Lua” (1991, último filme) encerram uma filmografia que não oferece um mau filme, ainda que se possa falar de ligeiras oscilações óbvias. O seu cinema foi sempre de uma delicadeza e sensibilidade extremas, mesmo quando os temas exigiam nervo e violência. “Verão de 42” é bem um exemplo acabado deste cinema que nos enovela numa teia de emoções e sentimentos inesquecíveis. Afinal como terá sido aquele verão de 42 para os três adolescentes que o povoam.
Curiosidade: estreado o filme, o escritor recebeu mais de dias centenas de cartas de Dorothys a confessarem que eram a Dorothy de que o filme falava. Uma dessas cartas era da verdadeira Dorothy que agradecia a forma como Herman Raucher e Robert Mulligan tinham recordado aquele verão de 42.


VERÃO DE 42
Título original: Summer of '42
Realização: Robert Mulligan (EUA, 1971); Argumento: Herman Raucher; Produção: Don Kranze, Richard A. Roth; Música: Michel Legrand; Fotografia (cor): Robert Surtees; Montagem: Folmar Blangsted; Casting: Alixe Gordin, Nessa Hyams, Jack Roberts; Design de produção: Albert Brenner; Decoração: Marvin March; Maquilhagem: Ken Chase, Dorothy White; Guarda-roupa: Jerry Alpe, Joanne Haas; Assistentes de realização: Mel Efros, Don Kranze, Irby Smith; Departamento de arte: Lowell Chambers, Robey Cooper, Don Miller, Arthur Orlando, Frank Repola, John J. Rutchland Jr., Lowell Thomas, Ken Walker, Alva Williams; Som: Tom Overton; Companhia de produção: Warner Bros.; Intérpretes: Jennifer O'Neill (Dorothy), Gary Grimes (Hermie), Jerry Houser (Oscy), Oliver Conant (Benjie), Katherine Allentuck (Aggie), Christopher Norris (Miriam), Lou Frizzell, Robert Mulligan (Narrador), Walter Scott, etc. Duração: 103 minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros; Classificação etária (estreia no cinema): M/ 18 anos; DVD: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 8 de Junho de 1972.


JENNIFER O'NEILL (1948 - )
Jennifer Lee O'Neill é de origem brasileira, nasceu no Rio de Janeiro, a 20 de Fevereiro de 1948, ainda que se tenha naturalizado norte-americana. O pai, Oscar O'Neill Jr., ligado à mdeciana, provinha de uma família de origem irlandesa e espanhola, e a mãe, Irene O’Neill, era inglesa. Desde criança obcecada por cavalos. Estudou na Dalton Schoolemin Manhattan, e depois na New York's Neighborhood Playhouse. Aos quinze anos era já modelo em Nova Iorque e, em 1968, estreia-se no cinema num pequeno papel em “For Love of Ivy”, que chamou a atenção de Howard Hawks, que a contratou para integrar o elenco do seu western “Rio Lobo”, em 1970, ao lado de John Wayne. No ano seguinte, em “Summer of '42”, atingiu o estrelado a consagração. Depois disso, pouco mais se poderá sublinhar da sua filmografia. Interpretou “Such Good Friends”, de Otto Preminger, “Um Caso de Urgência”, de Blake Edwards, “A Mulher de Gelo”, de Tom Gries e ainda “O Intruso”, de Luchino Visconti. Depois tem aparecido em telefilmes e séries de televisão. Mas quem a viu em “Verão de 42” não mais a esquece, apesar dela aparecer no filme apenas durante 12 minutos.
Em compensação não foi avarenta nos casamentos. Casou nove vezes com oito diferentes maridos, Dean Rossiter (1965 – 1971), Joseph Roster, escritor e publicitário (1972 - 1974), Nick De Noia, produtor e coreógrafo (1975 - 1976), Jeff Barry, cantor (1978 - 1979), John Lederer, seu agente (1979 - 1983), Richard Alan Brown, motorista (1986 - 1989), Neil L. Bonin (1992 - 1993), Richard Alan Brown (1993 - 1996) e Mervin Sidney Louque, Jr., produtor musical (1996 - presente). Actualmente vive numa fazenda em Nashville, no Tennessee. Escreveu a autobiografia “Surviving Myself”, e participou em diversas campanhas humanitárias. Mas a sua vida está repleta de dramas, tentativas de suicídio, marido que abusa da filha, drogas, assaltos violentos, depressões, etc. Recordemo-la na ilha de Nantucket, em Cape Cod, no verão de 42.

Filmografia

Como Actriz: 1968: For Love of Ivy (Um Homem para Ivy), de Daniel Mann; 1969: Futz!, de Tom O'Horgan (não creditada); Some Kind of a Nut, de Garson Kanin; 1970: Rio Lobo (Rio Lobo), de Howard Hawks; 1971: Summer of '42 (Verão de 42), de Robert Mulligan; Such Good Friends (Amantes Desconhecidos) de Otto Preminger; 1972: Glass Houses, de Alexander Singer; The Carey Treatment (Um Caso de Urgência), de Blake Edwards; 1973: Lady Ice (A Mulher de Gelo), de Tom Gries; 1975: Gente di rispetto, de Luigi Zampa; 1975: The Reincarnation of Peter Proud (O Homem que Viveu Duas Vezes), de Jack Lee Thompson; Whiffs (C.A.S.H), de Ted Post; 1976: L'Innocente (O Intruso), de Luchino Visconti; 1976: Call Girl: La vida privada de una señorita bien, de Eugenio Martín; 1977: Sette note in nero (Sete Notas Negras), de Lucio Fulci; 1978: Caravans (Caravanas), de James Fargo; 1979: Love's Savage Fury (A Fúria de Um Amor Selvagem), de Joseph Hardy (TV); 1979: A Force of One (Luta de Gigantes), de Paul Aaron; 1979: Steel (Homens de Aço); 1980: Cloud Dancer (O Bailarino das Nuvens), de Barry Brown; 1981: Scanners (Scanners), de David Cronenberg; The Other Victim, de Noel Black (TV); 1983: Bare Essence (série TV); 1984: Cover Up, de Glen A. Larson (TV); 1985: A.D. (TV); 1985: Chase (Regresso Amaldiçoado), de Rod Holcomb (TV); 1986: Perry Mason: The Case of the Shooting Star (TV); 1987: I Love N.Y., de Gianni Bozzacchi; 1988: Committed, de William A. Levey; The Red Spider (A Marca da Aranha) (TV); Glory Days (TV); 1989: Full Exposure: The Sex Tapes Scandal, de Noel Nosseck (TV); 1990: Personals (TV); 1992: Invasion of Privacy, de Kevin Meyer (TV); Perfect Family (TV); 1993: Discretion Assured, de Odorico Mendes; Love Is Like That (O Anjo Selvagem), de Jill Godman; The Cover Girl Murders (TV); 1994: Jonathan Stone: Threat of Innocence (TV); The Visual Bible: Acts, de Regardt van den Bergh; 1995: Silver Strand (Escola de Cadetes), de George Miller (TV); 1996: Poltergeist: The Legacy (TV); 1997: The Corporate Ladder (TV); The Ride, de Jeff Myres; Nash Bridges (TV); 1999: The Prince and the Surfer, Arye Gross e Gregory Gieras; 2000: On Music Row (TV); 2002: Time Changer, de Rich Christiano; 2008: Billy: The Early Years, de Robby Benson; 2012: Last Ounce of Courage, de Darrel Campbell; 2012: Doonby, de Peter M. Mackenzie.

SESSÃO 43: 21 DE NOVEMBRO DE 2016


AS COISAS DA VIDA (1970)

Quando vi, na estreia, “As Coisas da Vida”, de Claude Sautet, recordo que o filme me impressionou muito, quer pelo retrato que oferecia da sociedade francesa do tempo, quer pela forma como a obra estava estruturada. Estávamos no dealbar dos anos 70, Sautet lançava-se numa panorâmica discreta mas incisiva sobre a média burguesia francesa, neste caso um casal, ele arquitecto, ela tradutora, bem instalados na vida, ele a despedir-se de um casamento anterior, ela a sofrer com a instabilidade momentânea, ele de poucos mas sólidos amigos, íntegro na forma de conceber o seu trabalho, o que lhe valia discussões acesas com os construtores civis e os donos dos edifícios, uma ou outra questão familiar, a voz off, sempre a voz off em pensamento, antecipando-se às acções. De resto, a narrativa é sincopada, inicia-se com um acidente de viação, ele vai a caminho de uma reunião, escreveu uma carta de despedida, que não colocou no correio, arrependido, pede à mulher para vir ter com ele, mas não destruiu a carta, e agora, o acidente, que será da carta?, tudo em off, ele estendido sobre a relva, à chuva, enquanto aguarda pela chegada de uma ambulância que o conduza ao hospital. Coisas da vida, dizem… Alguém prepara as “coisas” de uma determinada forma, mas depois o acaso, o destino, seja o que for, dispõe de maneira diferente.


Tudo isto era novidade em 1970, hoje já não o é, muita água passou nos rios, o que era uma surpresa em 70 é agora uma banalidade adquirida por um espectador mediano. Mas há que recuar no tempo e chamar a atenção precisamente para o que era novo na época em que o filme foi realizado. Claude Sautet foi saudado pelo rigor da análise, pela forma descontínua como organizava estas “coisas da vida”. Também pela maneira como dirigia os seus actores, os magníficos Romy Schneider, Michel Piccoli, Lea Massari, e todos os outros. Romy Schneider estava no auge da sua maturidade e beleza, concisa e rigorosa no registo, perspectivando uma notável carreira no cinema francês, depois da sua época Sissi e de um período internacional, dedicado a grandes superproduções. Com “A Piscina” e “As Coisas da Vida” Schneider entrega-se por completo à produção francesa, arrancando um conjunto quase ininterrupto de grandes trabalhos que a impuseram como grande actriz.
Claude Sautet vinha de policiais narrados com eficácia e inteligência, ambos com Lino Ventura, “Classe tout risques” (Contra todos os riscos, 1960) e “L'Arme à gauche” (Um Iate para a Jamaica, 1965), e preparava uma filmografia de extrema coerência que se impõe durante os anos 70 e 80: “O Estranho Caso do Inspector Max”, “César e Rosália”, “Vincent, François, Paul... et les autres” (Os Inseparáveis),  “Entre Duas Mulheres”, “Uma História Simples”, “Um Mau Filho”, “Um Homem Apaixonado”, “Alguns Dias Comigo”, terminando já nos anos 90, com “Um Coração no Inverno” e “Nelly & Monsieur Arnaud”, seu último filme. Sautet nasceu em 1924 em Montrouge, França, e viria a falecer em Paris, em 2000. Terá sido o sucesso público (e de crítica) que “As Coisas da Vida” justificaram que lhe permitiu uma carreira extremamente pessoal, virada para a análise psicológica e sociológica de pequenos grupos de pessoas, os seus dramas e aspirações, que hoje nos permitem compreender melhor um tempo e um espaço.
“Les Choses de la Vie” parte de um romance de Paul Guimard, que colaborou com Sautet e Jean-Loup Dabadie na sua adaptação ao cinema. Será de referir ainda a partitura musical de Philippe Sarde que acompanha a preceito a acção. Grupos de amigos, muito fumo, cafés, amores e desamores, frustrações e angústias, esperanças e desilusões, uma relativa tranquilidade económica e uma profunda inquietação emocional. Nem sempre é esteticamente bonito. Tal como a vida destas pessoas. Eis o cinema de Suatet. Coisas da Vida.

AS COISAS DA VIDA
Título original: Les choses de la vie
Realização: Claude Sautet (França, Itália, Suíça, 1970); Argumento: Claude Sautet, Jean-Loup Dabadie, Paul Guimard, segundo romance deste último; Produção: Jean Bolvary, Raymond Danon, Roland Girard; Música: Philippe Sarde; Fotografia (cor): Jean Boffety; Montagem: Jacqueline Thiédot; Decoração: André Piltant; Guarda-roupa: Jacques Cottin; Maquilhagem: Jean-Pierre Eychenne, Irène Servet; Direcção de Produção: Ralph Baum, Paul Dufour, Jean Guillaume; Assistentes de realização: Jean-Claude Sussfeld, Claude Vital; Departamento de arte: Jean Catala, Frédéric Tsikinsan; Som: René Longuet, Jean Nény, Alex Pront; Companhias de produção: Fida Cinematografica, Lira Films, Sonocam; Intérpretes: Michel Piccoli (Pierre Bérard), Romy Schneider (Hélène), Gérard Lartigau (Bertrand Bérard), Jean (François), Boby Lapointe, Hervé Sand, Jacques Richard, Betty Beckers, Dominique Zardi, Gabrielle Doulcet, Roger Crouzet, Henri Nassiet, Claude Confortès, Jerry Brouer, Jean Gras, Marie-Pierre Casey, Marcelle Arnold, Jean-Pierre Zola, Max Amyl, Isabelle Sadoyan, Gérard Streiff, Lea Massari (Catherine Bérard), Clément Bairam, Christian Bertola, Lucie Blome, Béatrice Boffety, M. Carmet, Henri Coutet, Raoul Delpard, Agnès Duval, Lucien Frégis, Karine Jeantet, Pierre Londiche, Luigi, Jean Piccoli, etc. Duração: 89 minutos; Distribuição em Portugal: Studio Canal /Universal (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos.

ROMY SCHNEIDER (1938 – 1982)
Romy Schneider não iniciou a carreira com a figura de Sissi, mas a verdade é que, durante grande parte da sua vida, se viu associada a este personagem e a um ciclo de filmes que para sempre a marcaram. Rosemarie Magdelena Albach-Retty, de nome de baptismo, nasceu a 23 de Setembro de 1938, em Viena, Áustria, e viria a falecer em Paris, França, a 29 de Maio de 1982. O atestado regista uma paragem cardíaca, mas nunca se aclarou devidamente as causas. Falou-se numa dose excessiva de barbitúricos.
Os pais, Wolf Albach-Retty e Magda Schneider, eram actores e sobretudo a mãe teve uma influência enorme no início da carreira de Romy, controlando-a, supervisionando-a. Estreou-se aos 15 anos no cinema, em “Entre Dois Amores”, de Hans Deppe, mas fez furor, a partir de 1955, com o ciclo de filmes dedicados a Sissi, a imperatriz: “Sissi”, de Ernst Marischka; “Sissi, die junge Kaiserin” (Sissi, a Jovem Imperatriz) e “Sissi, Schicksalsjahre einer Kaiserin” (Sissi e o Destino), todos de Ernst Marischka. Muito presa à imagem imperial que a sua beleza e juventude ajudaram a cimentar, rodou diversas outras obras nos mesmos ambientes: “Die Deutschmeister” (Parada Imperial), de Ernst Marischka; “Kitty und die große Welt” (Kitty e os 4 Grandes), de Alfred Weidenmann; “Monpti” (Monpti), de Helmut Käutner; “Scampolo” (A Miúda), de Alfred Weidenmann; “Mädchen in Uniform” (Raparigas de Uniforme), de Géza von Radványi; “Christine” (Cristina), de Pierre Gaspard-Huit ou “Katia” (Katia), de Robert Siodmak. Ao rodar “Christine”, apaixona-se por Alain Delon , o actor com quem contracenava e parte para Paris. Voltam a reunir-se em “Plein Soleil” (À Luz do Sol), de René Clément, e são considerados um casal sensação. Por essa altura surge numa série de filmes de grandes realizadores e de grande espectáculo: “O Processo”, de Orson Welles, “Os Vitoriosos”, de Carl Foreman, “O Cardeal”, de Otto Preminger, “O Assassinato de Trotsky”, de Joseph Losey, ou “Luís da Baviera”, de Luchino Visconti. Confessou um dia que “trabalhou com os maiores tiranos, Preminger, Welles, Visconti”. A partir de “A Piscina” e “As Coisas da Vida” toda a sua carreira decorre quase sempre em França, destacando-se a grande coerência e intensidade das suas fulgurantes interpretações que lhe reservaram um lugar de “eleita entre as eleitas” dos espectadores mundiais. Separada de Delon em 1964, casou com Harry Meyen, de quem teve um filho, David-Christopher. Novo divórcio em 1975. No mesmo ano, recebe o seu primeiro César como Melhor Actriz em “O Importante É Amar”, a que se segue outro, três anos depois, com “Uma História Simples”. Volta a casar com o seu secretário Daniel Biasini, de quem tem uma filha. Em 1981, sofre um rude golpe de que nunca mais se recompõe quando o filho, David Haubenstock, morre trespassado pelos varões metálicos dos limites de um jardim. Um ano depois, Romy Schneider morre Paragem cardíaca. Fica a lenda.

Filmografia

Como actriz: 1953: Wenn der weiße Flieder wieder blüht (Entre Dois Amores), de Hans Deppe; 1954: Feuerwerk (Fogo de Artifício), de Kurt Hoffmann; Mädchenjahre einer Königin (Juventude de Uma Raínha), de Ernst Marischka; 1955: Der letzte Mann (O Último dos Homens), de Harald Braun; Die Deutschmeister (Parada Imperial), de Ernst Marischka; Sissi (Sissi), de Ernst Marischka; 1956: Kitty und die große Welt (Kitty e os 4 Grandes), de Alfred Weidenmann; Sissi, die junge Kaiserin (Sissi, a Jovem Imperatriz), de Ernst Marischka; 1957: Monpti (Monpti), de Helmut Käutner; Robinson soll nicht sterben (A Ilha Encantada de Robinson), de Josef von Báky; Sissi, Schicksalsjahre einer Kaiserin (Sissi e o Destino), de Ernst Marischka;1958: Scampolo (A Miúda), de Alfred Weidenmann; Mädchen in Uniform (Raparigas de Uniforme), de Géza von Radványi; Christine (Cristina), de Pierre Gaspard-Huit; 1959: Die Halbzarte (Eva ou Diário de uma Rapariga), de Rolf Thiele; Ein Engel auf Erden (Um Anjo de Rapariga), de Géza von Radványi; Die schöne Lügnerin (A Bela Mentirosa), de Axel von Ambesser; Katia (Katia), de Robert Siodmak; Plein Soleil (À Luz do Sol), de René Clément; 1961: Boccace 70 (Boccaccio '70), episódio “Il Lavoro” de Luchino Visconti; Die Sendung der Lysistrata (TV), de Fritz Kortner; 1961: Le Combat dans l'île (O Duelo na Ilha), de Alain Cavalier; 1962: Forever My Love (versão condensada para os EUA de dois filmes sobre Sissi); Le Procès (O Processo), de Orson Welles; The Victors (Os Vitoriosos), de Carl Foreman; 1963: The Cardinal (O Cardeal), de Otto Preminger; 1964: Good Neighbor Sam (Empresta-me o Teu Marido), de David Swift; L'Enfer, de Henri-Georges Clouzot (inacabado); 1965: L'Amour à la mer, de Guy Gilles; Paris brûle-t-il ?, de René Clément (cenas não incluídas na versão final); What's new Pussycat ? (Que há de novo, gatinha?), de Clive Donner; 1966: 10:30 P.M. Summer, de Jules Dassin; La Voleuse, de Jean Chapot; Triple cross (O Maior Espião da História), de Terence; 1968: Otley (Espião por Acidente), de Dick Clement; La Piscine (A Piscina), de Jacques; 1969: My lover, my son, de John Newland; 1970: Les Choses de la vie (As Coisas da Vida), de Claude Sautet; Qui? (Quem?), de Léonard Keigel; Bloomfield (A Queda de um Ídolo), de Richard Harris; La Califfa (A Califa), de Alberto Bevilacqua; Max et les ferrailleurs (O estranho caso do Inspector Max), de Claude Sautet; 1971: The Assassination of Trotsky (O Assassinato de Trotsky), de Joseph Losey; 1972: Ludwig (Luís da Baviera), de Luchino Visconti; César et Rosalie (César e Rosália), de Claude Sautet; 1973: Le Train (O Último Comboio), de Pierre Granier-Deferre; 1973: Un amour de pluie (Um Amor Passageiro), de Jean-Claude Brialy; Le Mouton enragé (O cordeiro enfurecido), de Michel Deville; Le Trio infernal (Le trio infernal), de Francis Girod; 1974: L'important c'est d'aimer (O Importante É Amar), de Andrzej Żuławski; Les Innocents aux mains sales (Os Inocentes de Mãos Sujas), de Claude Chabrol; 1975: Le Vieux Fusil (A mulher, o amor e o ódio), de Robert Enrico; 1976: Une femme à sa fenêtre, de Pierre Granier-Deferre; Mado (Entre Duas Mulheres), de Claude Sautet; Gruppenbild mit Dame), de Aleksandar Petrovic; Tausend Lieder ohne Ton (TV); 1978: Une histoire simple (Uma História Simples), de Claude Sautet; 1979: Bloodline (Laços de Sangue), de Terence Young; Clair de femme (A Luz da Paixão), de Costa-Gavras; La mort en direct ou Death watch (A Morte em Directo), de Bertrand Tavernier; 1980: La Banquière (A Banqueira), de Francis Girod; 1981: Fantasma d'amore (Fantasma de Amor), de Dino Risi; Garde à vue (Sem Culpa Formada), de Claude Miller; 1982: La Passante du Sans-Souci (O Bar da Última Esperança), de Jacques Rouffio; 2009: L'Enfer de Henri-Georges Clouzot, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea (documentário sobre o filme inacabado “L'Enfer”, de 1964). 

domingo, 6 de novembro de 2016

SESSÃO 42: 7 DE NOVEMBRO DE 2016


HELLO, DOLLY (1969)


A câmara de Gene Kelly sobe as escadarias dos "Harmonica Gardens" e vai enquadrar as costas de um velho negro que dirige uma orquestra de jazz. Os braços estendidos, os ombros já encurvados, uma pequena batuta prolongando o negro da casaca, dir-se-ia o sacerdote de uma liturgia de sons por ele comandados. A câmara de Gene Kelly aproxima-se então, com respeito, e vai com ela um grande amor e a reverência devida ao "Rei". Com ela vamos também nós, direitos às costas daquele velho negro de ralos cabelos brancos que, súbito, se volta e se descobre:
- “That's Louis, Dolly”...
- “Hello, Louis”..., responde-lhe Barbara Streisand, e nestas breves palavras, nestes gritos de amor que a memória só conhece raramente, está o mais belo momento de “Hello, Dolly”, filme.
O velho negro, de ombros encurvados já, continua naquela voz rouca de quem viveu eternidades e conhece a vida por dentro e por fora. Ele é o "Rei", ressuscitando um velho poema. Aí o temos, de corpo inteiro, desarmado, sem o velho trompete cravado nos lábios, unicamente com a sua voz rouca e o amor esgueirando-se pelo olhar. É o "Rei" que estende a mão a Barbara, e com ele regressa toda a nostalgia, toda a sumptuosidade litúrgica, toda a turbulência musical, toda a alegria incomensurável de um cortejo em New Orleans. O mais belo momento de “Hello, Dolly”. Um momento que nos obriga a ver e rever um musical. Um momento sublime que ficará por certo na história do cinema e do musical. Uma história que não é só feita de filmes. Mas de pessoas. De rostos. De vozes. Da rouquidão arrastada de um velho negro do jazz. E de uma grande vedeta com a força telúrica de uma Barbara Streisand, aqui num dos seus grandes momentos de actriz e cantora.


Com “Hello, Dolly”, datado de 1969, Gene Kelly regressava à realização cinematográfica depois de alguns anos de interregno, e regressava também ao musical: um regresso, se não em cheio, pelo menos em beleza, dado que o director, coreógrafo, bailarino e actor de tantos e tantos clássicos do género regressava sem vestígios de senilidade, sem envelhecimento formal, sem qualquer indício de quebra, de vigor ou de invenção. Antes pelo contrário: “Hello, Dolly” surgia em 1969 nos ecrãs de todo o mundo como mais um notável exercício de cinema, uma baforada de vitalidade e de ritmo num género exausto por essa altura. Um majestoso espectáculo que passava a constituir, daí em diante, uma nova referência obrigatória na história de um género de prestigiada linhagem.
Encadeado vertiginoso de canções e bailados, “Hello, Dolly” é a transposição para o cinema de um espectáculo musical de grande sucesso na Broadway - 2.844 representações no St. James Theatre, de Nova Iorque, depois da sua estreia a 16 de Janeiro de 1964. A produção do espectáculo estivera a cargo de David Merrick, com direcção e coreografia de Gower Champion. Na base do espectáculo, uma peça teatral de Thornton Wilder, "The Matchmaker", adaptada por Michael Stewart, com música e líricas de Jerry Herman.
Mas a história desta adaptação é curiosíssima. A versão original da intriga remonta a uma peça teatral inglesa, “A Day Well Spent”, de John Oxenford, estreada em Londres em 1835. Alguns anos depois, Johann Nestroy escrevia uma versão alemã, que subiria a cena em 1842, em Viena de Áustria, com o título “Einen Jux Will Er Sich Machen”. Quase um século depois, o norte-americano Thornton Wilder, segundo sugestão de Max Reinhardt, escreve uma sua primeira adaptação a que chamou “The Merchant of Yonkers”, que se estreou no teatro, com Jane Cowl como protagonista. Não satisfeito com o resultado, cerca de quinze anos depois, o mesmo Thornton Wilder volta ao tema e refaz a história que passa a chamar-se “The Matchmaker”. É na temporada de 1954-55 que a peça sobe à cena, em Londres, com Ruth Gordon na figura de Dolly Levi. A 5 de Dezembro de 1955, David Merrick estreia esta nova peça em Nova Iorque no The Theatree Guild, para 486 representações, com um cast que inclui, além de Ruth Gordon, Loring Smith, Eileen Herlie, Arthur Hill e Robert Morse. Daqui nasce, em 1958, uma versão cinematográfica, homónima, dirigida por Joseph Anthony, interpretada por Shirley Booth, Shirley MacLaine, Anthony Perkins, Paul Ford, Wallace Ford e Robert Morse. É, portanto, desta versão que o mesmo David Merrick se socorre para a criação do musical “Hello, Dolly” que, ao tempo da sua estreia em salas da Broadway, se transformou no maior sucesso musical em palco. Seria, meses depois, ultrapassado por “O Violino no Telhado”.
Mas este sucesso não seria fácil de conseguir. Antes de aparecer na Broadway, o musical rodou por algumas cidades dos EUA e as primeiras impressões foram "desastrosas". Adaptador e músico foram reescrevendo o que parecia fraco, até chegarem à versão que surgiria em palco em N. Y. O argumento de “Hello, Dolly” continuaria a ser, no entanto, tanto no palco como no ecrã, o seu calcanhar de Aquiles. Lá chegaremos...
Desse elenco original faziam parte Carol Channing, David Burns, Eileen Brennan, Charles Nelson Reilly, Sondra Lee, Jerry Dodge, Alice Playten, Igors Gavon. O espectáculo recebeu 10 Tonys (correspondentes aos Oscars, em teatro), entre os quais o de melhor produção de um musical, melhor autoria, melhor direcção, melhor música, melhor coreografia e melhor actriz. Para os críticos do “Variety”, seria o mais votado para quatro categorias, melhor direcção de um musical, melhor actriz, melhor cenografia e melhor lírica.


Houve quem considerasse que “Hello, Dolly” era um musical de um tema só, precisamente "Hello, Dolly", e que os restantes números musicais eram bastante inferiores a esse. A partitura conta, todavia, com alguns outros bons momentos, entre as principais canções: "I Put My Hand In", "It Takes a Woman", "Put on Your Sunday Clothes", "Ribbons Down My Back", "Motherhood", "Dancing", "Before the Parade Passes By", "Elegance", "It Only Takes a Moment" ou "So Long Dearie".
Voltando à adaptação cinematográfica, haverá que referir que ela foi empreendida por Ernest Lehman, com realização de Gene Kelly, música e líricas de Jerry Herman e Michael Stewart, coreografia de Michael Kidd (o mesmo desse espantoso “Sete Noivas para Sete Irmãos”), fotografia (em Todd-AO) de Harry Stradling, direcção musical de Lennie Hayton e Lionel Newman e direcção artística de John de Cuir.
Nos Oscars do ano, ganharia o de melhor filme e melhor fotografia, e seria ainda nomeado para melhor direcção musical, melhor direcção artística e melhores cenários.
O argumento é frágil e demasiado secundário para sobre ele nos determos com muita atenção. Serve unicamente de pretexto a uma "feérie" e é esta que está em causa. Pouco nos interessa saber que uma jovem viúva (que se ocupa "profissionalmente" a arranjar casamentos para outros) resolva, subitamente, preocupar-se com o seu futuro e "caçar" um milionário que diz que "o máximo a que um americano pode aspirar é ter muito dinheiro". Estamos em Nova Iorque, 1880, e tudo terá de ser visto nesta perspectiva, tanto mais que o filme reflecte um saudável e subtil sentido crítico.
Mas o que funciona como centro motor é a reconstituição de um tempo histórico, estilizado pela forma como nos é transmitido. É a América de fins do século XIX, a eufórica América que ainda se descobre a si própria, e o faz cantando e dançando, transbordante de alegria e vitalidade.
“Hello, Dolly” é, neste aspecto, uma espécie de "revista", na sua sucessão de "quadros", que se prolonga por duas horas e meia de um turbilhão de cores e sons. O rosto de uma cidade onde são visíveis as profundas desigualdades sociais, mas onde os conflitos se resolvem ainda ao ritmo de uma orquestra comandada por um improvisado, mas admirável, Louis Armstrong (cremos que na sua última aparição cinematográfica).


Haverá essencialmente que salientar a qualidade plástica das grandes sequências coreografadas: a partida de um comboio carregado de habitantes de uma pequena aldeia nos arredores de Nova Iorque, com destino à capital; a parada que fecha em apoteose a primeira parte do filme (e que constitui, só por si, um inolvidável momento de musical); ou ainda esses três quartos de hora finais, inteiramente limitados pelas paredes de um restaurante, onde se sucedem vertiginosos bailados, cada vez mais turbulentos, com um ritmo de marcação inexcedível, onde é bem visível o dedo de Michael Kidd.
Que “Hello, Dolly” não aguenta a mais rudimentar aproximação crítica ao nível do argumento, essa é uma conclusão que se impõe extrair rapidamente, para melhor saborearmos depois, sem problemas de consciência, esse impressionante espectáculo musical, onde são ainda de sublinhar o trabalho e o talento de Barbara Streisand, não só como actriz, mas sobretudo como personalidade e cantora, para lá da presença de Walter Matthau, que compõe com brilho e humor a figura de um excêntrico milionário. Outros actores: Michael Crawford, Marianne McAndrew, E.J. Peaker, Danny Lockin, Louis Armstrong, Tommy Tune e David Hurst.


HELLO, DOLLY!
Título original: Hello, Dolly!
Realização: Gene Kelly (EUA, 1969); Argumento: Ernest Lehman, segundo peça teatral de Michael Stewart, inspirada em Thornton Wilder ("The Matchmaker") e Johann Nestroy ("Einen Jux will er sich machen"); Produção: Roger Edens, Ernest Lehman; Fotografia (cor): Harry Stradling Sr.; Montagem: William Reynolds; Casting: Alixe Gordin, Joe Scully; Design de produção: John DeCuir; Direcção artística: Herman A. Blumenthal, Jack Martin Smith; Decoração: Raphael Bretton, George James Hopkins, Walter M. Scott; Guarda-roupa: Irene Sharaff; Maquilhagem: Edwin Butterworth, Dick Hamilton, Edith Lindon, Daniel C. Striepeke, Verne Langdon, Sharleen Rassi; Direcção de produção: Francisco Day, George E. Swink; Assistentes de realização: Paul Helmick, Robert J. Koster, Richard Lang; Departamento de arte: Lloyd R. Apperson, Craig Binkley, Greg C. Jensen; Som: James Corcoran, Jack Solomon, Murray Spivack, Vinton Vernon, Douglas O. Williams, Terrance Emerson; Efeitos especiais: Johnny Borgese; Efeitos visuais: L.B. Abbott, Art Cruickshank, Emil Kosa Jr.; Companhias de produção: Chenault Productions, Twentieth Century Fox Film Corporation; Intérpretes: Barbara Streisand (Dolly Levi), Walter Matthau (Horace Vandergelder), Michael Crawford (Cornelius Hackl), Marianne McAndrew (Irene Molloy), Danny Lockin (Barnaby Tucker), E.J. Peaker (Minnie Fay), Joyce Ames (Ermengarde), Tommy Tune (Ambrose Kemper), Judy Knaiz (Gussie Granger), Louis Armstrong, David Hurst, Fritz Feld, Richard Collier, J. Pat O'Malley, David Ahdar, Will Ahern, Melanie Alexander, Ben Archibek, John Arnold, Roger Arroyo, Robert Bakanic, etc. Duração: 146 minutos; Classificação etária: M/ 6 anos; Distribuição em Portugal (DVD): Twentieth Century Fox; Data de estreia em Portugal: 16 de Dezembro de 1969.


BARBRA STREISAND (1942 - )
Ela não é apenas uma actriz conceituada, uma cantora de sucesso, mas igualmente uma produtora que sabe conduzir os negócios e uma realizadora que consegue transformar em êxitos os títulos que assina. É uma entertainer completa, canta, dança, representa, sabe lançar uma graça quando é necessário e justificar uma lágrima. Para ela, o espectáculo não tem segredos, como soe dizer-se. Barbra Joan Streisand nasceu a 24 de Abril de 1942, em Williamsburg, Brooklyn, Nova Iorque, EUA. Os pais foram Diana, uma cantora que se tornou secretária de escola, e Emanuel Streisand, descendente de judeus polacos, professor do ensino secundário. Ela estudou na Beis Yakov Jewish School em Brooklyn. Cresceu a sonhar ser actriz. Conseguiu-o e de que maneira. Começou a carreira como cantora de um nightclub off-Broadway em Nova Iorque, e estreou-se no teatro musical da Broadway em 1962, em "I Can Get It For You Wholesale", logrando logo uma nomeação para o Tony Award para Best Supporting Actress: No ano seguinte, o sucesso continuou com o primeiro álbum lançado pela Columbia Records, "The Barbara Streisand Album", que ganhou vários Grammy, incluindo "Best Album of the Year".
Ainda na Broadway, em 1964, volta a ver explodir o seu talento na composição de Fanny Brice em "Funny Girl". Quando chegou ao cinema, era uma vedeta e sua versão de “Funny Girl: Uma Rapariga Endiabrada (1968), dirigida pelo mestre William Wyler, transformou-a numa "superstar', a que se seguem outros triunfos como “Hello Dolly” (1969),“Melinda” (1970), “O Mocho e a Gatinha” (1970) ou “Que Se Passa Doutor?” (1972). Aparece no melodrama sentimental “O Nosso Amor de Ontem” (1973), de Sydney Pollack ao lado de Robert Redford, onde muitos críticos consideram que deu a sua melhor interpretação de sempre. A canção "The Way We Were" escrita para esse filme e cantada por ela tornou-se um tema memorável.
Não satisfeita com o seu trabalho como actriz, e produtora, lançou-se igualmente na realização. “Yentl” (1983), que recebeu várias nomeações para os Oscars, ganhando dois. Mas Barbra ficou sem nenhuma estatueta, o que provocou a ira dos admiradores. Voltaria com “O Príncipe das Marés” (1991), novas sete nomeações, mas a recompensa como Melhor Realização seria dada pela Directors Guild of America. A sua terceira realização seria “As Duas Faces do Espelho” (1996), um novo melodrama que voltou a emocionar as plateias. Casada com Elliott Gould (1963 - 1971), de quem tem um filho, Jason Gould, e com James Brolin (1998 - presente). Pelo meio, alguns romances que fizeram a ligação entre os dois casamentos. Democrata, não enjeita acções de cariz social e político. Foi uma apoiante de Al Gore à presidência dos EUA. É a única personalidade mundial, no universo do showbusiness que recebeu Oscar, Tony, Emmy, Grammy, Golden Globe, Cable Ace, National Endowment for the Arts, e prémio Peabody, além do American Film Institutes Lifetime Achievement Honor e o Chaplin Award, do Film Society of Lincoln Center.


Filmografia
Como Actriz: 1968: Funny Girl (Funny Girl: Uma Rapariga Endiabrada), de William Wyler; 1969: Hello, Dolly ! (Hello, Dolly !), de Gene Kelly; 1970: On a Clear Day You Can See Forever (Melinda), de Vincente Minnelli; The Owl and the Pussycat (O Mocho e a Gatinha), de Herbert Ross; 1972: Up the Sandbox (A Mulher das Mil Caras), de Irvin Kershner; What's Up, Doc? (Que Se Passa Doutor?), de Peter Bogdanovich; 1973: The Way We Were (O Nosso Amor de Ontem), de Sydney Pollack; 1974: For Pete's Sake (A Minha Mulher é Doida!), de Peter Yates; 1975: Funny Lady (Funny Lady), de Herbert Ross; 1976: A Star is Born (Nasce Uma Estrela), de Frank Pierson; 1979: The Main Event (Treinador de Saias), de Howard Zieff; 1981: All Night Long (Até de Madrugada), de Jean-Claude Tramont; 1983: Yentl (Yentl), de Barbra Streisand; 1984: Sunday Night Live (TV); 1986: Directed by William Wyler (documentário); 1987: Nuts (Louca), de Martin Ritt; 1990: Listen Up: The Lives of Quincy Jones (documentário); 1991: Prince of the Tides (O Príncipe das Marés), de Barbra Streisand; 1996: The Mirror has Two Faces (As Duas Faces do Espelho), de Barbara Streisand; 2004: Meet the Fockers (Uns Compadres do Pior), de Jay Roach; 2010: Little Fockers (Não Há Família Pior!) de Paul Weitz; 2012: The Guilt Trip (Não Há Culpa Nem Desculpa!), de Anne Fletcher. 


Como realizadora: 1983: Yentl; 1991: O Príncipe das Marés; 1995: Barbara: The Concert (TV (documentário); 1996: As Duas Faces do Espelho; 2001: Timeless: Live in Concert (TV, documentário); 2009: Streisand: Live in Concert (TV (documentário); 2017: Barbra Streisand (em projecto). 

domingo, 9 de outubro de 2016

SESSÃO


CAMELOT (1967)

“Camelot”, filme de Joshua Logan, com música de Frederick Lowe e poemas de Alan Jay Lerner, e interpretações de Richard Harris, Vanessa Redgrave e Franco Nero, partiu de uma versão teatral de um musical homónimo estreado na Broadway a 6 de Dezembro de 1960. Em 1956, Frederick Lowe e Alan Jay Lerner haviam estreado com um sucesso retumbante “My Fair Lady”, que estaria em cena durante 2.717 representações. A dupla regressava, quatro anos depois, com a adaptação de um romance de T.H.White, “The Once and the Future King”, que recuperava os tempos dos “Cavaleiros da Távola Redonda”, e os amores de Guenevere, Artur, o rei, e Lancelot du Lac, cavaleiro. E tudo anunciava um sucesso semelhante... Na Broadway, a peça teve 873 representações. Apesar de ter sido aguardada com enorme expectativa, a crítica reagiu mal. Estreou no Majestic Theatre, de Nova Iorque, com um elenco de luxo: Richard Burton, Julie Andrews, Roberet Goulet, Robert Coote, Roddy McDowall, entre outros. A direcção esteve a cargo de Moss Hart. A coreografia era da responsabilidade de Hanya Holm e o belíssimo guarda-roupa trazia a assinatura de Adrian e Tony Duquette.


A adaptação cinematográfica de “Camelot” mantém a partitura musical de Frederick Lowe e os poemas de Alan Jay Lerner. A produção esteve a cargo de Sonny Burke, com direcção musical de Alfred Newman e direcção vocal de Ken Darby. Entre os seus números mais conhecidos e popularizados contam-se “Camelot”, “How To Handle a Woman”, “If Ever I Would Leave You” ou “C’est Moi”. Joshua Logan foi o director escolhido pela Warner para adaptar a cinema este musical. Não muito tempo antes conhecera um enorme sucesso com “Piquenique”, um fabuloso melodrama de amor, a que se seguiriam “Paragem de Autocarro”, com Marilyn Monroe, “Sayonara”, com Marlon Brando, e um desencorajante “Ao Sul do Pacífico”, que todavia conta com fiéis indiscutíveis, dada a qualidade da sua partitura. Com “Camelot” regressava ao melhor da sua inspiração.
Esta aventura lendária por terras do Rei Artur custou 15 milhões de dólares. Edward Carrere, o director artístico, criou um castelo de Camelot digno do orçamento, e dos contos de fadas, e John Truscott vestiu as personagens com um guarda-roupa sumptuoso. Joshua Logan conduziu o filme com mão mestre, valorizando devidamente os momentos musicais.
“Camelot” tem interpretações de Richard Harris, no papel de Rei Artur, a inglesa Vanessa Redgrave como Guenevere, o italiano Franco Nero como Lancelot (dobrado nas cenas cantadas por Gene Merlino), e ainda David Hemmings, como Mordred, Lionel Jeffries como Rei Pellinore e Laurence Naismith, na figura de Merlin. Entre todos, Franco Nero é o mais discutível.
Casado com Guenevere, o rei Artur quer restabelecer na sua corte a época de ouro dos “Cavaleiros da Távola Redonda”. O espírito da cavalaria instalava-se nesse reino de quimérica felicidade. Mas Lancelot, a quem o rei Artur muito queria, acaba por trair essa amizade seduzindo, ou deixando-se seduzir por Guenevere. O que leva o casal de adúlteros ao castigo e Camelot à ruína dos seus ideais.
Derradeira grande produção de Jack Warner para a Warner Bros., “Camelot” recebeu no ano de 1967 nomeações da Academia de Hollywood para melhor fotografia, melhor guarda-roupa, melhor som e melhor partitura musical. Não receberia nenhuma das estatuetas, mas ficaria ainda assim bem colocado nas preferências do público.

CAMELOT
Título original: Camelot
Realização: Joshua Logan (EUA, 1967); Argumento: Alan Jay Lerner, segundoo uma peça teatral sua ("Camelot"), a partir de uma obra de T.H. White "The Once and Future King"); Produção: Jack L. Warner, Joel Freeman; Música: Alfred Newman; Fotografia (cor): Richard H. Kline; Montagem: Folmar Blangsted; Design de produção: John Truscott, Edward Carrere; Direcção artística: Edward Carrere; Decoração: John Brown; Guarda-roupa: John Truscott; Maquilhagem: Gordon Bau, Jean Burt Reilly; Direcção de produção: Tadeo Villalba; Assistente de realização: Arthur Jacobson; Departamento de arte: Edward Carrere, John Truscott, Craig Binkley, Ward Preston; Som: M.A. Merrick, Dan Wallin; Efeitos especiais: Johnny Borgese, Robie Robinson; Companhias de produção: Warner Brothers/Seven Arts; Intérpretes: Richard Harris (Rei Arthur), Vanessa Redgrave (Guenevere), Franco Nero (Lancelot Du Lac), David Hemmings (Mordred), Lionel Jeffries (Rei Pellinore), Laurence Naismith (Merlyn), Pierre Olaf (Dap), Estelle Winwood (Lady Clarinda), Gary Marshal (Sir Lionel), Anthony Rogers (Sir Dinadan), Peter Bromilow (Sir Sagramore), Gary Marsh, Nicolas Beauvy, Fredric Abbott, Leon Greene, Michael Kilgarriff, Christopher Riordan, etc. Duração: 179 minutos; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 25 de Outubro de 1967. 


VANESSA REDGRAVE (1937 - )
Esta é uma das grandes actrizes inglesas do século XX. Tive a sorte de a ver no teatro, em Londres, em 1979, a interpretar "Ellida", na belíssima peça de Henrik Ibsen, "The Lady from the Sea". Foi uma produção da Royal Exchange no New Round House Theatre. Ela contracenava com Graham Crowden e Terence Stamp, num espectáculo magnífico que dava bem a medida do talento e da delicadeza desta mulher admirável.  
Nasceu a 30 de Janeiro de 1937, em Greenwich, Londres, Inglaterra. Filha dos actores Michael Redgrave e Rachel Kempson. Irmã de Corin Redgrave e Lynn Redgrave. Na família ainda se encontram outros membros dedicados às artes, como Jemma Redgrave (sobrinha) e Liam Neeson (genro). Casada com Tony Richardson (1962–1967) e Franco Nero (2006–até ao presente). Entre 1971 e 1986 manteve uma relação com o actor Timothy Dalton. Três filhos: Natasha Richardson (1963–2009), Joely Richardson (1965) e Carlo Gabriel Nero (1969). Laurence Olivier anunciou o nascimento de Vanessa durante uma representação de Hamlet, no Old Vic, informando o público que o seu colega de palco, Sir Michael Redgrave acabara de ter uma filha. Foi educada na Alice Ottley School e na Worcester & Queen's Gate School, de Londres, antes de se estrear no teatro. Entrou para a Central School of Speech and Drama em 1954. Estreia-se no West End em 1958. Foi, no entanto, em 1961, ao interpretar Rosalind, na peça “As  You Like It”, na Royal Shakespeare Company, que ela começou a chamar definitivamente a atenção para o seu talento, que não mais deixaria de brilhar, tanto no teatro, como no cinema e na televisão. Integrou o elenco de mais de 35 espetáculos, tanto no West End de Londres, como na Broadway de Nova Iorque, ganhando tanto o Tony como o Olivier. No cinema surgiu em mais de 80 títulos, sempre com indiscutível sucesso, sendo de referir “Blowup” (1966), “Isadora” (1968), “Mary, Queen of Scots” (1971), “The Devils” (1971), “Julia” (1977), “The Bostonians” (1984), “Howards End” (1992), “Mission: Impossible” (1996) ou “Atonement” (2007). Tanto Arthur Miller como Tennessee Williams consideraram-na “a maior actriz viva do nosso tempo”.
Até hoje é a única actriz inglesa a ganhar os prémios mais importantes de cinema, teatro e televisão: Oscar, Emmy, Tony, Olivier, Cannes, Veneza, Golden Globe e Screen Actors Guild. Conta com mais de meia centena de nomeações e mais de quarenta prémios internacionais. Cinco nomeações para Oscars nos filmes “Howards End” (1992), “The Bostonians” (1984),  “Mary, Queen of Scots” (1971), “Isadora” (1968) e “Morgan: A Suitable Case for Treatment” (1966)e um Oscar ganho com “Júlia” (1977). Treze nomeações para os Globos de Ouro, de que triunfou duas vezes (“Júlia”, 1977, e “If These Walls Could Talk 2”, 2000, respectivamente em cinema e televisão). As restantes nomeações foram para “The Gathering Storm” (2002), “Bella Mafia” (1997), “A Month by the Lake” (1995), “A Man for All Seasons” (1988), “Prick Up Your Ears” (1987), “Second Serve” (1986), “The Bostonians” (1984), “Mary, Queen of Scots” (1971), “Isadora” (1968), “Camelot” (1967) e “Morgan: A Suitable Case for Treatment” (1966). Ganhou dois Emmys, com “Playing for Time” (1980) e “If These Walls Could Talk 2” (2000). Foi ainda nomeada pelo trabalho em “The Gathering Storm” (2002), “Young Catherine” (1991), “Second Serve” (1986) e “Peter the Great (1986). Várias nomeações para os BAFTAS e um honorário em  2010. Ganhou o Festival de Cannes por duas vezes, com “Isadora” (1968) e “Morgan: A Suitable Case for Treatment” (1966). Recebeu o David di Donatello com “Mary, Queen of Scots” (1971). Ganhou em Veneza, com “Little Odessa” (1994). A esses devem juntar-se dezenas de outros prestigiados prémios e distinções.  Vanessa Redgrave é ainda conhecida por defender causas sociais e políticas, sendo muito comentada a sua contribuição para a defensa do estado palestiniano.



Filmografia

Cinema: 1958: Behind the Mask (Por Detrás da Máscara), de Brian Desmond Hurst; 1959: A Midsummer Night's Dream (TV); 1960: BBC Sunday-Night Play (TV) -Twentieth Century Theatre: The Elder Statesman; 1963: As You Like It (TV); 1964: Armchair Theatre (TV) ; First Night (TV); 1965: Love Story (TV); 1966: A Farewell to Arms (TV); 1966: A Man for All Seasons (Um Homem para a Eternidade), de Fred Zinnemann; The Sailor from Gibraltar, de Tony Richardson; Blow-Up (Blow-Up, História de um Fotógrafo), de Michelangelo Antonioni; Morgan: A Suitable Case for Treatment (Morgan - Um Caso para Tratamento), de Karel Reisz; 1967: Camelot (Camelot), de Joshua Logan; Red and Blue, de Tony Richardson (curta-metragem); 1968: The Charge of the Light Brigade (A Carga da Brigada Ligeira), de Tony Richardson; Isadora (Isadora), de Karel Reisz; Un Tranquillo Posto di Campagna (Um Tranquilo Lugar na Província), de Elio Petri; The Seagull (A Gaivota), de Sidney Lumet; 1969: Oh What a Lovely War! (Viva a Guerra!), de Richard Attenborough; 1970: Drop Out, de Giovanni Brass; The Devils (Os Diabos), de Ken Russell; En mor med två barn väntandes sitt tredje (curta-metragem); 1971: The Trojan Women (As Trioanas),  de Michael Cacoyannis; Mary, Queen of Scots (As Duas Rainhas), de Charles Jarrott; 1972: La Vacanza, de Giovanni Brass; 1973: A Picture of Katherine Mansfield (TV); 1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1975: Out of the Season (Fora de Estação), de Alan Bridges; 1976: The seven per cent solution (O Regresso de Sherlock Holmes), de Herbert Ross; 1977: Julia (Júlia), de Fred Zinnemann: 1979: Agatha (O Mistério de Agatha), de Michael Apted; Bear Island (A Ilha dos Ursos), de Don Sharp; 1980: Yanks (Yanks), de John Schlesinger; Playing for Time (TV); 1982: My Body, My Child (Meu Corpo, meu Filho), de Marvin J. Chomsky (TV): 1983: Sing Sing, de Sergio Corbucci; Wagner (TV); 1984: The Bostonians (As Mulheres de Boston), de James Ivory; Steamin, de Joseph Losey; Faerie Tale Theatre (TV)  episódio Snow White and the Seven Dwarfs, de Peter Medak; 1985: Whetherby, de David Hare; 1985: American Playhouse (TV); 1986: Comrades, de  Bill Douglas; Second Serve (TV); Peter the Great (TV); 1987: Prick Up Your Ears (Vidas em Fúria), de Stephen Frears; 1988: Consuming Passions (A Louca Doçura), de Giles Foster; A Man for All Seasons (Conflito Mortal), de Charlton Heston (TV); 1989: Pokhorony Stalina, de Evgeniy Evtushenko; 1990: Diceria dell'untore, de Beppe Cino; Romeo.Juliet, de Armondo Linus Acosta; No Calor do Sul (TV);  1991: Ballad of the Sad Café (A Balada das Paixões), de Simon Callow; What Ever Happened to Baby Jane? (TV); Young Catherine (TV); 1992: Howards End (Regresso a Howards End), de James Ivory; 1992: Indiana Jones - Crónicas da Juventude (TV); 1993: The House of the Spirits (A Casa dos Espíritos) de Bille August; Un Muro de Silencio, de Lita Stantic; Great Moments in Aviation (TV); 1993 They Eles vêem), de  John Korty (TV); 1994: Storia di una Capinera, de Franco Zeffirelli; 1995 The Wind in the Willows (TV); Down Came a Blackbird (TV); 1995: Little Odessa de James Gray (Viver e Morrer em Little Odessa), de James Gray; Mother's Boy (Assédio Fatal), de Yves Simoneau; A Month by the Lake (Amor à Beira do Lago) de John Irvin; 1996: Smilla's Sense of Snow (Smilla e o Mistério da Neve), de Bille August; 1996: Mission Impossible (Missão Impossível), de Brian De Palma; The Willows in Winter (TV); 1996 Two Mothers for Zachary (TV);  1997: Wilde (Wilde), de Brian Gilbert; Déjà Vu, de Henry Jaglom; Mrs. Dalloway, de Marleen Gorris; Bela Mafia (TV);  1998: Deep Impact (Impacto Profundo), de Mimi Leder; Lulu on the Bridge, de Paul Auster; Cradle will Rock (América - Anos 30), de Tim Robbins; Le Clandestin, de Carlos Gabriel Nero; 1999 Girl, Interrupted (Vida Interrompida), de James Mangold; Uninvited, de  Carlo Gabriel Nero; Eleonora (TV); A Rumor of Angels, de Peter O'Fallon; Mirka, de Rachid Benhadj; 2000: The 3 Kings, de Shaun Mosley; Escape to Life: The Erika and Klaus Mann Story, de  Wieland Speck, Andrea Weiss; Children's Story, Chechnia (Curta-metragem) (voz); If These Walls Could Talk 2 (Amor no Feminino) (TV); 2001: The Pledge (A Promessa), de Sean Penn; 2002: Crime and Punishment, de Menahem Golan; Jack and the Beanstalk: The Real Story (TV);  The Locket (TV); The Gathering Storm (O Homem Que Mudou o Mundo), de Richard Loncraine; 2003: Good Boy! (Um Cão do Outro Mundo), de John Hoffman; Byron (TV); 2004: The Fever, de Carlo Gabriel Nero; 2005: The Keeper: The Legend of Omar Khayyam, de Kayvan Mashayekh; Short Order, de Anthony Byrne; The White Countess (A Condessa Russa), de James Ivory; 2006: The Thief Lord, de Richard Claus; The Shell Seekers (TV);  2007: How About You..., de  Anthony Byrne; The Riddle, de Brendan Foley; Venus (Venus), de Roger Michell; Evening (Ao Anoitecer), de Lajos Koltai; Atonement (Expiação), de Joe Wright; 2008: Restraint (Ravenwood - Jogo de Sobrevivência), de  David Denneen;Ein Job (TV); Gud, lukt och henne; 2009: Identity of the Soul, de Thomas Høegh; 2004-2009: Nip/Tuck (TV);  The Day of the Triffids (TV); 2010: Lettres à Juliette (Cartas para Julieta), de Gary Winick; Konferenz der Tiere (Animais Unidos Jamais Serão Vencidos), de Reinhard Klooss, Holger Tappe; Miral, de Julian Schnabel; 2011: Anonymous (Anónimo), de Roland Emmerich; Coriolanus (Coriolano), de Ralph Fiennes; Cars 2 (Carros 2), de John Lasseter, Brad Lewis; The Whistleblower (Delatora), de Larysa Kondracki; Song for Marion, de Paul Andrew Williams; The Last Will and Testament of Rosalind Leigh, de Rodrigo Gudiño; Political Animals (TV); 2013: The Butler (O Mordomo) de Lee Daniels; 2014: Black Box (TV); The Thirteenth Tale (TV); Playhouse Presents (TV); 2012-2015: Old Roseanne McNulty (Chamem a Parteira) (TV); 2015: The Secret Scripture (pre-produção). 

SESSÃO 41: 31 DE OUTUBRO DE 2016


BONNIE E CLYDE (1967)

Aquando da sua estreia, “Bonnie e Clyde” não teve o sucesso crítico que mereceria e, mais ainda, suscitou uma tremenda polémica nos EUA (e também em Portugal, e um pouco por todo o lado onde se exibiu) que teve por base a violência explosiva que testemunhava e que, por aquela altura (1967), não era muito vulgar no cinema. No ano seguinte, ao escrever no DL, considerei-o o “melhor filme do ano”, dizendo que tinha sido precocemente “arrumado nas prateleiras o arsenal de “Bonnie e Clyde”, calando as rajadas de metralhadoras, ocultando a mais desesperadamente bela morte do cinema moderno”.
Julgo que será interessante recuperar esse texto que me parece não só significativo de um tempo, como sobretudo da importância do filme e da sua perenidade. Ainda hoje, o seu arrojo espanta e o seu significado humano e sociológico perdura.
Rezava assim o que então escrevi: “Como por “vingança do destino”, “Bonnie e Clyde” renasceu. Na base deste acontecimento surpreendente e sem paralelo vamos encontrar razões de vária ordem: a maior das quais se estriba, certamente, no êxito tremendo que esta película de Arthur Penn despertou em todo o mundo. Êxito feito pelo público (única e exclusivamente), êxito que pode muito simplesmente significar uma identificação de propósitos e desespero entre as gerações destes anos agitados de 67-68 e as da época conturbada da Grande Depressão económica dos anos 30, período que permitiu o aparecimento de figuras como Bonnie e Clyde, agora ressuscitadas do esquecimento por uma juventude que se interroga, irada e impotente perante todos os crimes passados (e presentes).
Sobre o argumento de Robert Benton e David Newman, esta biografia de Bonnie e Clyde esteve para ser dirigida, primeiramente, por Truffaut, depois por Godard. Acabou por ser comprada por 75 000 dólares, mas ficou nas mãos de Warren Beatty, que decidiu entregá-la a Arthur Penn. O realizador, desiludido com os cortes sofridos por “Perseguição Impiedosa” (e impostos pela Columbia), decidira abandonar o cinema. Mas a história entusiasmou-o. Bem assim como as condições em que a mesma prometia vir a ser rodada: inteira liberdade de acção, assegurada por Warren Beatty, que funcionava como produtor, depois de ter conseguido um adiantamento reduzido de Jack Warner. Após algumas hesitações no que respeita à escolha da actriz que iria viver a personagem de Bonnie, o filme principiou, concluiu-se, estreou-se. Meia dúzia de pessoas assistiu à estreia; alguns críticos viram e não gostaram. Estamos na América de Lindsay Johnson, fins de 1967. Mas o público começou a ir. Na Europa, é o sucesso; na América, envergonhados, alguns críticos voltam à plateia, revêem e dão o dito por não dito: afinal, “Bonnie e Clyde” é um grande filme. Mas Bosley Crowther, no “New York Times”, diz três vezes que não. Na última, foi despedido, após muitos anos “de bons e leais serviços”. Foi a última vítima de Bonnie e Clyde (“Express”, Pierre Billard). Hoje, “Bonnie e Clyde” espera a consagração dos Óscares. Prevemos-lhe vários e todos inteiramente merecidos (não os teve, soube-se depois).
Do êxito ao mito foi um salto. Bonnie e Clyde surgem em cartazes, discos, propaganda, vestuário, moda. Com o nome de Bonnie and Clyde vendem-se carros, boinas, vestidos, fatos, cartazes, revistas. Warren Beatty e Faye Dunaway invadem todos os domínios, inquietantes...


No início da década de 30, nos E.U.A., existi­ram, em carne e sangue, dois gangsters de reputação lendária. Bonnie e Clyde roubavam bancos, ajudavam os camponeses, eram auxiliados por negros e pobres brancos, encarnando em si um ideal de justiça social que a Depressão e os seus anos de fome haviam afas­tado há muito da sociedade norte-americana. Rou­bando e matando depois (entrando numa engrenagem de que desconheciam as regras, mas de que suspeitavam o aliciante), Bonnie e Clyde transformaram-se num dos mais famosos casais de fora-da-lei de toda a América. Clyde, de metralhadora em punho e estranhamente impotente no amor; Bonnie, compondo poesia da sua vida aventurosa nos intervalos dos assaltos; ambos personificando a falência de um humanismo que os tomou reais. Eles, e ainda todos os outros que os rodeiam, os perseguem, prendem, auxiliam, encobrem ou matam, todos compõem o retrato de uma nação, de um povo, de uma época. E Arthur Penn vai até à minúcia, esgravata documentação do impossível, e descobre, para além do retrato, também a respiração, as veias, o sangue que corria na América de 30.
Depois, há ainda um ritmo: intercalado de situações burlescas e de cenas de uma violência trágica, desgastante, envolvente. Ao ritmo trepidante de uma balada do velho Oeste, que serve de pano de fundo a toda uma série de perseguições (comparáveis à comédia burlesca), sucede-se o crepitar medonho de metralhadoras despejando a morte (como os polícias negros da época); a uma cena de amor impossível nos campos verdes, selvagens e livres, justapõem-se os últimos olhares de um casal crivado de balas e jorrando sangue de mil chagas, sangue-sangue, vermelho, vivo e quente.
Cite-se ainda a interpretação de Faye Dunaway e Warren Beatty, que fazem de Bonnie e Clyde dois dos muitos anjos caídos, homens desalojados da sua condição, figuras à procura de um lugar, mas recusando entrar no único jogo que lhe indicam possível. Finalmente, assinale-se que Arthur Penn nos deu a obra-prima que vinha prometendo desde o início da sua carreira. Acrescente-se que promete mais, muito mais…”
Assim foi. Arthur Penn deu-nos depois obras magníficas, mas “Bonnie e Clyde” manteve-se o seu filme chave que, ainda hoje, permanece actual e permite as mais curiosas comparações com outros períodos da História, onde a crise económica, social e política segreda a marginalidade e o crime.
Arthur Hiller Penn nasceu em Filadélfia, a 27 de Setembro de 1922, e veio a falecer a 28 de Setembro de 2010, um dia depois de completar 88 anos. Começou a sua carreira na televisão, onde adquiriu celebridade como realizador, passando ao cinema em 1958, com “The Left Handed Gun” (Vício de Matar), a história do lendário Billy the Kid, interpretada por Paul Newman, demostrando desde logo as suas preocupações sociais e seu estilo. Seguiram-se “O Milagre de Anne Sullivan”, “Mickey One”, “Perseguição Impiedosa”, “Bonnie e Clyde”, que o consagrou definitivamente, “O Restaurante de Alice”, “O Pequeno Grande Homem”, “Duelo no Missouri”, e mais alguns títulos que o colocaram entre os grandes autores de Hollywood, entre os anos 60 e 80.

BONNIE E CLYDE (1967)
Titulo original : Bonnie and Clyde
Realização: Arthur Penn (EUA, 1967); Argumento: David Newman, Robert Benton, Robert Towne; Produção: Warren Beatty; Música: Charles Strouse; Fotografia (cor): Burnett Guffey; Montagem: Dede Allen; Direcção artística: Dean Tavoularis; Decoração: Raymond Paul; Guarda-roupa: Theadora Van Runkle; Maquilhagem: Robert Jiras, Gladys Witten; Direcção de produção: Russell Saunders; Assistentes de realização: Jack N. Reddish; Departamento de arte: Stuart Spates; Som: Francis E. Stahl, Dan Wallin; Efeitos especiais: Danny Lee; Companhias de produção: Warner Brothers/Seven Arts, Tatira-Hiller Productions; Intérpretes: Warren Beatty (Clyde Barrow), Faye Dunaway (Bonnie Parker), Michael J. Pollard (C.W. Moss), Gene Hackman (Buck Barrow), Estelle Parsons (Blanche), Denver Pyle (Frank Hamer), Dub Taylor (Ivan Moss), Evans Evans (Velma Davis), Gene Wilder (Eugene Grizzard), Martha Adcock, Harry Appling, Owen Bush, Mabel Cavitt, Patrick Cranshaw, Frances Fisher, Sadie French, Garry Goodgion, Clyde Howdy, Russ Marker, Ken Mayer, Ken Miller, Ann Palmer, Stuart Spates, James Stiver, Ada Waugh, etc. Duração: 112 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Zon Lusomundo; Classificação etária: M/16 anos; Data de estreia em Portugal: 1 de Dezembro de 1967.


FAYE DUNAWAY (1941 - )
Dorothy Faye Dunaway nasceu a 14 de Janeiro de 1941, em Bascom, Flórida, EUA. A mãe era Grace Smith e o pai MacDowell Dunaway, Jr, oficial do exército. Viajando muito pelos EUA e pela Europa, eram frequentes as zangas, até chegar o divórcio. Com dez anos Dorothy Faye Dunaway viu-se na contingência de sobreviver quase por si só. Estudou dança, piano, canto, estudou na universidade de Boston. Em 1962, com 21 anos, estuda teatro na American National Theater and Academy. Notada por Lloyd Richards, indicada a Elia Kazan, integra o elenco da Lincoln Center Repertory Company, onde cresce como actriz, apesar da sua vida instável, emocionalmente perturbada, sendo frequente a sua visita a psicanalistas. Mas o sucesso avizinha-se. No cinema estreia-se num pequeno papel em “O Incerto Amanhã”, de Otto Preminger, mas foi, pouco depois, quando protagonizou “Bonnie & Clyde”, ao lado de Warren Beatty, que a sua sorte mudou de vez, chegando rapidamente ao estatuto de vedeta, uma mistura explosiva de mulher fria e sensual, de verdadeiro sex symbol da nova América dos anos 60. A carreira entrou em contínua ascensão e participa num importante conjunto de obras, a começar por “The Thomas Crown Affair”, de Norman Jewison; Amanti, de Vittorio, de Sica; 1969: “The Arrangement”, de Elia Kazan, “Little Big Man”, de Arthur Penn, “Chinatown”, de Roman Polanski, “Three Days of the Condor”, de Sydney Pollack, até culminar com “Network”, de Sidney Lumet, em 1976, que lhe valeu o Oscar de Melhor Actriz.
A partir dos anos 80, a sua carreira conhece alguma perda de fulgor, com aparecimento em filmes menos interessantes. Tem fama de ser “difícil”, e a sua interpretação em “Mommie Dearest”, de Frank Perry (1981) parece ter contribuído para esta fama. Ela própria explica o relativo apagamento da sua imagem com este filme que ela detesta e que, parece, gostaria de fazer desaparecer da sua filmografia: “Este filme arruinou a minha carreira como actriz principal, porque o meu desempenho foi muito bom num papel odioso, que provocou grande antipatia entre o público cinéfilo”.
Faye foi casada duas vezes, a primeira com Peter Wolf, cantor do grupo de rock J. Geils Band, nos anos 70 e com o fotógrafo inglês Terry O’Neil, com quem teve um filho. Faye Dunaway recebeu, ao longo da sua carreira, inúmeros prémios e distinções, entre eles um Oscar, dois BAFTAS, quatro Globos de Ouro. Tem uma estrela que lhe foi atribuída no Hollywood Walk of Fame, junto ao nº 7021 de Hollywood Boulevard. Em Outubro de 1997, a revista Empire organizou um inquérito para saber quais as maiores vedetas de todos os tempos. Faye Dunaway surgiu em 65º lugar.


Filmografia
Como Actriz: 1967: Hurry Sundown (O Incerto Amanhã), de Otto Preminger; The Happening (Os Devassos), de Elliot Silverstein; Bonnie and Clyde (Bonnie e Clyde), de Arthur Penn; 1968: The Thomas Crown Affair (O Grande Mestre do Crime), de Norman Jewison; Amanti (Um Lugar para Amar), de Vittorio, de Sica; 1969: The Extraordinary Seaman (O Marinheiro Fantástico), de John Frankenheimer; The Arrangement (O Compromisso), de Elia Kazan; 1970: Little Big Man (O Pequeno Grande Homem), de Arthur Penn; Puzzle of a Downfall Child (Tempo, de Viver), de Jerry Schatzberg; 1971: La Maison sous les arbres (Uma Casa à Sombra das Árvores), de René Clément; Doc (Vento do Oeste), de Frank Perry; 1973: Oklahoma Crude (O Poço do Ódio), de Stanley Kramer; 1973: The Three Musketeers (Os Três Mosqueteiros - os diamantes da Rainha), de Richard Lester; 1974: Chinatown (Chinatown), de Roman Polanski; Four Musketeers (Os Quatro Mosqueteiros: A Vingança, de Milady), de Richard Lester; The Towering Inferno (A Torre do Inferno), de John Guillermin e Irwin Allen; 1975: Three Days of the Condor (Os Três Dias do Condor), de Sydney Pollack; 1976: Network (Escândalo na TV), de Sidney Lumet; Voyage of the Damned (A Viagem dos Malditos), de Stuart Rosenberg; 1978: Eyes of Laura Mars (Os Olhos, de Laura Mars), de Irvin Kershner; 1979: The Champ (O Campeão), de Franco Zeffirelli; 1980: The First Deadly Sin (O Primeiro Pecado Mortal), de Brian G. Hutton; 1981: Mommie Dearest (Querida Mãezinha), de Frank Perry; 1983: The Wicked Lady (A Dama Perversa), de Michael Winner; 1984: Supergirl (Supergir), de Jeannot Szwarc; 1985: Ordeal by Innocence (A Forca para Um Inocente), de Desmond Davis; 1987: Barfly (Barfly - Amor Marginal), de Barbet Schroeder; 1988: Midnight Crossing (Cruzeiro Sem Regresso), de Roger Holzberg; La partita, de Carlo Vanzina; Burning Secret (Segredo Ardente), de Andrew Birkin; 1989: In una notte di chiaro di luna (Morte Silenciosa), de Lina Wertmüller; Wait Until Spring, Bandini (A Primavera Virá, Bandini), de Dominique Deruddere; 1990: The Handmaid's Tale (A História da Aia), de Volker Schlöndorff; 1990: The Two Jakes (O Caso da Mulher Infiel), de Jack Nicholson (voz); 1991: Scorchers (Corpos Ardentes), de David Beaird; 1992: Lahav Hatzui, de Amos Kollek; 1993: Arizona Dream (Arizona), de Emir Kusturica; The Temp (Ambição Sem Limites), de Tom Holland; 1995: Don Juan DeMarco (Don Juan DeMarco), de Jeremy Leven; Drunks, de Peter Cohn; 1996: Dunston Checks In (Macaco à Solta, Pânico no Hotel), de Ken Kwapis; 1996: Albino Alligator (Albino Aligator), de Kevin Space; The Chamber (A Câmara Encerrada), de James Foley; 1997: The Twilight of the Golds), de Ross Kagan Marks; 1997: En brazos, de la mujer madura), de Manuel Lombardero; 1999: Love Lies Bleeding, de William Tannen; The Thomas Crown Affair (O Caso Thomas Crown), de John McTiernan; 1999: The Messenger: The Story of Joan of Arc (Joana de Arc), de Luc Besson; 1999: The Yards (Nas Teias da Corrupção), de James Gray; 2000: Stanley's Gig, de Marc Lazard; 2001: Yellow Bird, de Faye Dunaway (curta-metragem); Festival in Cannes, de Henry Jaglom; 2002: Mid-Century, de Scott Billups; Changing Hearts (Corações Quebrados), de Martin Guigui; The Rules of Attraction (As Regras da Atracção), de Roger Avary; 2002: Man of Faith ou The Calling, de Damian Chapa; 2003: Blind Horizon (O Assassino do Presidente), de Michael Haussman; 2004: Last Goodbye, de Jacob Gentry; El Padrino, de Damian Chapa; Jennifer's Shadow, de Daniel, de la Vega et Pablo Parés; 2005: Ghosts Never Sleep, de Steve Freedman; 2006: Cut Off (O Roubo), de Gino Cabanas; Love Hollywood Style, de Michael Stein; Rain, de Craig DiBona; La rabbia, de Louis Nero; 2007: Killer Hacker (The Gene Generation), de Pearry Reginald Teo; 2007: Cougar Club, de Christopher Duddy; 2007: Say It in Russian, de Jeff Celentano; 2007: Flick, de David Howard; 2008: Fashion: The Movie, de Jeff Espagnol; 2009: The Seduction of Dr. Fugazzi, de October Kingsley; 2009: Balladyna, de Dariusz Zawislak; 2009: The Magic Stone, de Jowita Gondek; 2009: 21 and a Wake-Up, de Chris McIntyre; 2012: Master Class,, de Faye Dunaway

Televisão: 1965: Seaway; 1969: The Trials of O'Brien; 1971: Great Performances: Hogan's Goat, de Glenn Jordan; 1972: The Woman I Love, de Paul Wendkos; 1974: After the Fall, de Gilbert Cate;1976: The Disappearance of Aimee, de Anthony Harvey; 1981: Evita Peron, de Marvin J. Chomsk; 1982: The Country Girl, de Gary Halvorson e Michael Montel; 1984: Ellis Island, de Jerry London; 1985: Christopher Columbus, de Alberto Lattuad; Thirteen at Dinner, de Lou Antonio; 1986: Raspberry Ripple, de Nigel Finch; Beverly Hills Madam, de Harvey Hart; 1987: Casanova, de Simon Langton; 1989: Cold Sassy Tree, de Joan Tewkesbury; 1990: Silhouette, de Carl Schenkel; 1993: It Had to Be You Columbo, de Vincent McEveety; 1995: A Family Divided, de Donald Wrye; Road to Avonlea 1996: The People Next Door,, de Tim Hunte; 1997: Rebecca, de Jim O'Brien; 1998: Gia, de Michael Cristofer; A Will of Their Own, de Karen Arthur; 2000: Running Mates, de Ron Lagomarsino; Stanley's Gig; 2001: Touched by an Angel; 2002: Soul Food; The Biographer: Diana - La vérité interdite, de Philip Saville; 2002-2003: Alias; 2004: Anonymous Rex, de Julian Jarrold; Back When We Were Grownups, de Ron Underwood; 2006: CSI: Crime Sob Investigação; 2007: Pandemic, de Armand Mastroianni; 2009: Grey's Anatomy (Anatomia de Grey); Midnight Bayou; 2010: A Family Thanksgiving; Earth Ring (curta-metragem);


Teatro: 1961-1963: A Man for All Seasons, de Robert Bolt; 1961-1963: After the Fall, de Arthur Miller, encenação de Elia Kazan; 1965: Infirmière84; 1964: But For Whom Charlie, de S. N. Behrman, encenação de Elia Kazan; 1964: The Changeling, de Thomas Middleton e William Rowley, encenação de Elia Kazan; Femme, de chambre86; 1982: The Curse of an Aching Heart, de William Alfred, encenação de Gerald Gutierrez.